Criopreservação social de óvulos. Você sabe o que é?

criopreservação, gravidez

As mulheres estão deixando de vincular a decisão de ter filhos à condição de estarem casadas. Com o avanço da ciência, ninguém precisa mais seguir um passo a passo convencional para concretizar o desejo de ser mãe. A discussão agora é outra: tempo. Estilo de vida, oportunidades educacionais, escolhas profissionais e novas uniões estão levando muitas mulheres a adiar a primeira gravidez, reduzindo as chances reais de ter filhos. Sendo assim, cresce o número de quem, aos trinta, congela seus óvulos para usar futuramente.

Na opinião do especialista em Medicina Reprodutiva Edson Borges Junior, diretor do Fertility Medical Group, muito se propaga que “os 40 anos são os novos 30” em termos de beleza, mas isso não é verdade quando o assunto é fertilidade. “Os óvulos envelhecem e a reserva ovariana sofre uma queda brusca entre 30 e 35 anos. Daí a importância de a paciente buscar ajuda especializada para avaliar em detalhes sua reserva ovariana, principalmente quando fatores hereditários apontam para menopausa precoce. A taxa mensal de fecundidade em mulheres entre 20 e 30 anos gira em torno dos 25%. Depois dos 35 anos, cai para menos de 10%. Com a perda progressiva dos oócitos, depois dos 40 anos a mulher apresenta um forte declínio da função reprodutiva. A criopreservação social de óvulos é bastante indicada quando a paciente sabe que quer ser mãe, mas não tão cedo”.

Borges enfatiza que até mesmo os casais em tratamento de fertilização assistida têm mais chances de sucesso em menor tempo (menos ciclos) quando a paciente tem menos de 35 anos. “Uma em cada três pacientes que nos procuram tem mais de 39 anos. É preciso haver mais informação sobre a relevância do fator idade em termos de procriação”. Nesse sentido, o médico diz que a idade ideal para considerar o congelamento de óvulos gira em tornos dos 31-35 anos. “Mesmo aquelas pacientes com idade entre 36-40 anos podem se beneficiar da criopreservação, embora costumem resultar em menos gestações. Mas é fundamental tomar essas medidas antes dos 40 anos, já que depois a fertilidade feminina entra em rápido declínio. Com esse tipo de providência, a paciente se livrará do peso da ansiedade e das cobranças em relação à maternidade e que costumam gerar tanta insegurança quando confrontada com suas relações pessoais e profissionais”.

Em termos sociais, o congelamento de oócitos leva as mulheres a um mesmo nível de decisão dos homens sobre aproveitar o melhor momento para ter filhos. Como a fertilidade masculina é mais duradoura e eles costumam recorrer mais à criopreservação do sêmen por questões de saúde, um bom argumento para a criopreservação de óvulos é o aumento da janela de oportunidades para as mulheres. “Há casais que optam pelo congelamento de embriões. Mas trata-se de uma decisão que deve ser tomada a dois e envolve, inclusive, aspectos do relacionamento do casal para que efetivamente tenham filhos no futuro. Já a criopreservação de oócito é uma atitude independente, baseada tão-somente no desejo de ser mãe e de se reservar o direito de escolher o melhor momento para realizar esse sonho, sem pressão”, diz o especialista.

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