O que o seu espelho te diz?

Por Camila Sanches @camilinha_fit


Eu fui uma criança gordinha, daquelas com a barriguinha proeminente. Até uns 9 anos isso não fazia nenhuma diferença na minha vida. Aos 12, tive uma estomatite que me impediu de comer sólidos por cerca de um mês, e nesse período eu perdi uns 10 quilos. Para desespero da minha mãe, aquela perda de peso repentina representou uma descoberta incrível para minha autoestima e um apreço pelo meu próprio corpo. Eu vi beleza naquela magreza, e não queria ganhar os pesos perdidos, então parei de comer.

Claro que meus pais logo notaram que havia algo errado e trataram de me ajudar a entender o que estava acontecendo e buscar uma solução saudável para a manutenção de um peso adequado, mas essa é a mais remota lembrança que tenho da minha relação conturbada com o meu próprio corpo.

Como dizem, a maturidade é capaz de fazer coisas maravilhosas, e a proximidade dos 30 me trouxe tranquilidade para entender essa relação e trabalhá-la de forma muito mais inteligente do que aquela menininha de 12 anos conseguiu fazer.

Após inúmeras dietas, anos de academia, diferentes modalidades de esportes e dança, hoje consigo ter mais serenidade para aceitar o meu corpo, e entender o que funciona e o que não funciona para mantê-lo saudável.

Veja bem, eu disse saudável, não disse magro. Sim, porque nós mulheres, desde muito cedo, somos bombardeadas com modelos ideais de beleza corporal, e quase sempre eles representam a magreza. E esse tipo de referência pode ser destruidora para meninas em formação em um país no qual a grande maioria das mulheres tem curvas.

Passei anos lutando contra minhas pernas grossas até entender que meu biótipo simplesmente tornaria torturante a busca pelas pernas finas das modelos que admiro. E esse processo de aceitação passou por algo muito importante: informação.

Quanto mais leio e procuro saber sobre ideais estéticos e indústria da beleza, mais percebo o quão irreais são esses padrões. E quanto mais me informo sobre nutrição e vida saudável, mais percebo que seus benefícios vão muito além de um corpo idealizado.

Faça o seguinte exercício, jogue no Google as palavras “Photoshop e celebridades” e clique em um conteúdo a respeito. Você certamente irá se deparar com uma série de alterações feitas em famosas para publicações em revistas e campanhas publicitárias. Ou seja, nem o nosso ideal de beleza é real. A perfeição não existe!

E a minha busca por uma vida mais saudável me trouxe sim quilinhos a menos, mas também trouxe um cabelo mais brilhante, uma pele mais lisinha, melhores horas de sono e muito mais disposição.

Hoje, a minha busca não é por esse ou aquele modelo, mas sim pela minha melhor versão. A maturidade trouxe a capacidade de me olhar no espelho e enxergar primeiro a beleza em detrimento da autocrítica. Não foi meu corpo que mudou, foi a minha cabeça.

A gordurinha lateral ainda está lá, as pernas grossas também. Mas o reflexo no espelho já não me incomoda. A barriguinha me lembra das taças de vinho que tomo nas longas conversas sobre a vida com meu namorado, da cervejinha gelada com as amigas e da melhor lasanha do mundo feita pela minha mãe. E dessas coisas eu não abro mão!

Sobre tricoatres (571 Artigos)
<p>Três mulheres tricotando sobre o universo feminino. Uma mãe, uma indecisa na vida e o último elo dessa tríade venusiana: uma jovem baladeira!</p>